segunda-feira, 9 de agosto de 2010

As Grandes Damas do Candomblé - Mãe Stella de Oxóssi

 
Maria Stella de Azevedo Santos, ou Mãe Stella de Oxóssi, nasceu no dia 2 de maio de 1925, no Pelourinho, em Salvador. Órfã muito cedo, Stella foi adotada por uma de suas tias, e cedo foi iniciada ao candomblé, com apenas 14 anos, por Mãe Senhora. Mãe Senhora foi a mãe religiosa de Mãe Stella e lhe acompanhou durante décadas, na casa-de-santo Ilê Axé Opô Afonjá, até 1967, ano em que a ialorixá faleceu. Ondina Valéria Pimentel (Mãezinha) assumiu, então, o Opô Afonjá e, um ano após sua morte, Stella foi escolhida por Xangô e pelos búzios para ser a ialorixá do terreiro de São Gonçalo do RetiroMaria Stella de Azevedo Santos, ou Mãe Stella de Oxóssi, nasceu no dia 2 de maio de 1925, no Pelourinho, em Salvador. Órfã muito cedo, Stella foi adotada por uma de suas tias, e cedo foi iniciada ao candomblé, com apenas 14 anos, por Mãe Senhora. Mãe Senhora foi a mãe religiosa de Mãe Stella e lhe acompanhou durante décadas, na casa-de-santo Ilê Axé Opô Afonjá, até 1967, ano em que a ialorixá faleceu. Ondina Valéria Pimentel (Mãezinha) assumiu, então, o Opô Afonjá e, um ano após sua morte, Stella foi escolhida por Xangô e pelos búzios para ser a ialorixá do terreiro de São Gonçalo do Retiro. Em tal época, Stella, já com quarenta e nove anos, já havia se aposentado de sua profissão como enfermeira. Mãe Stella viajou várias vezes para a África, procurando aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura iorubá, e conseguiu transformá-la em uma herança escrita. Tal feito possibilitou uma maior divulgação dos cultos africanos e da religião dos orixás em todo o Brasil. Na década de 1980, ela participou de diversos congressos sobre os cultos afro-brasileiros, escreveu artigos, foi entrevistada, deu conferências, e publicou dois livros - o primeiro deles, em co-autoria com Cléo Martins, sua filha, que se intitula E daí aconteceu o encanto; e, o segundo, Meu tempo é agora. Stella foi a primeira ialorixá a escrever livros e artigos sobre sua religião. Ela combateu, ainda, o sincretismo entre o candomblé e o catolicismo, ressaltando que a fusão de elementos culturais distintos descaracterizava as duas religiões.
Mãe Stella de Oxossi foi uma das primeiras vozes do candomblé a condenar o sincretismo, um sistema que associa as divindades africanas aos santos católicos, uma vez que, na época da colonização os trazidos da África não podiam exercer sua religião e faziam relação com os santos católicos, confundindo santos e orixás, ritos de candomblé e ritos cristãos. Ela afirma que Iansã não é Santa Bárbara, recusa a idéia de que o candomblé é uma seita sincrética, e declara que ele possui parâmetros de iniciação e liturgia próprios, defendendo sua condição de religião brasileira. No que diz respeito ao candomblé, Stella declara: 
“Nós conseguimos impor a crença trazida pelos escravos, pelo respeito humano que sempre guiou nossas ações. Por isso, hoje, brancos e negros, pobres e ricos se unem aqui em busca de paz e equilíbrio. Somos a tradição e o novo.”
Em suma, foi através de Mãe Stella de Oxossi que o candomblé se tornou uma religião respeitada e adaptada à realidade do País. Ela tornou possível uma síntese entre cultos, crenças e ritos, oriundos de diversas etnias africanas, e colocou em evidência a importante tradição dos antepassados na vida das pessoas. A ialorixá sedimentou a religião dos afro-descendentes, defendendo a concepção de que os negros precisam ser considerados elementos relevantes da sociedade brasileira.

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